A exposição de rua deste ano pretende transmitir a tradição, honrar quem veio antes e preparar quem virá a seguir: este é O Legado em Cada Gesto — Romaria d’Agonia.
As pessoas, as memórias, a tradição, a alegria e o amor com que fazem e vivem todos os anos a Romaria de Nossa Senhora d’Agonia, acreditam num futuro para Viana do Castelo que nunca se dissocia do seu passado histórico e cultural.
Este ano, queremos que sintam cada gesto da Romaria d’ Agonia, preparado com alma, vivido com fé e transmitido com amor. É um legado que atravessa gerações — firme, leve e que desejamos eterno como a memória.
São as gentes de Viana e todos os que por ela se apaixonam que entregam o seu coração à tradição, porque a Romaria vive em quem a continua…
A exposição O Legado em Cada Gesto — Romaria d’Agonia, faz-nos recordar quem somos, de onde vimos… e o que levamos no coração quando Somos Todos Romaria.
A referência mais antiga que anuncia uma banda de música durante as festividades da Senhora d’Agonia remonta a 1867. A festa, pela sua grandiosidade e importância no roteiro das romarias, é um palco importante para as Bandas de Música, na qual apresentam os seus melhores músicos e repertório. No passado, nos coretos, as bandas enchiam a cidade de música, hoje as filarmónicas integram todos os quadros da Romaria d’Agonia, desde os religiosos aos culturais.
E talvez ouças a canção que já conheces, tocada pelos pequenos dedos de quem agora começa. E nesse preciso momento, vais sorrir porque tudo recomeça ali: Havemos de ir a Viana.
A majestosa Procissão, momento de devoção e respeito, assinalou-se pela primeira vez no ano de 1888. Ao longe ouve-se o som do bater das varas que marca o compasso dos homens e mulheres que pegam nos andores.
As imagens de Nossa Senhora dos Mares, Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora de Monserrate, S. Bartolomeu dos Mártires, S. Pedro e a do Senhor dos Aflitos, vindos da igreja de S. Domingos, vão ao encontro dos andores de S. Roque e de Nossa Senhora d’Agonia, que os aguardam no santuário. Por entre o esforço e a fé dos homens e mulheres que os carregam, os andores percorrem as ruas da cidade, acompanhados por mais de uma centena de figurantes que dramatizam diversos quadros bíblicos.
Cada bater da vara, cada flor lançada, cada gesto da Procissão Solene é a fé de ontem a caminhar no presente que não se perdeu.
A Romaria d’Agonia em 1889 já incluía fogo de artifício nas celebrações religiosas e na festa. É o cenário natural da cidade de Viana do Castelo, envolvido pelo rio Lima, que torna os espetáculos de fogo-de-artifício da Serenata e da Cachoeira na Ponte Eiffel verdadeiramente únicos.
Quando o primeiro foguete da Serenata subir, deixa subir também as saudades e as memórias que vivem em ti, em cada Romaria d’Agonia.
A entrada dos gigantones e cabeçudos na Romaria da Senhora d’Agonia, em Viana do Castelo, é uma tradição que remonta a 1893, reintroduzidos da região espanhola da Galiza e que, até hoje, continua a ser uma das principais atrações. Ao som dos bombos e tarolas dos Zés P’reiras, os gigantones e cabeçudos desfilam com a sua dança caraterística, encantando miúdos e graúdos.
Quando ouvires os bombos, fecha os olhos… Quando dançares, dança por todos que fizeram parte da nossa Romaria… isto é o amor!
O Cortejo Histórico-Etnográfico, inicialmente designado de “Parada Agrícola” realizou-se pela primeira vez em 1908. Este é o momento em que as freguesias do concelho mostram as suas tradições à cidade. Um verdadeiro museu vivo, que envolve milhares de figurantes e dezenas de carros alegóricos, verdadeiras obras de arte, que unem a história à etnografia para manter vivas as tradições
de Viana do Castelo.
Quando deres vida às tradições e histórias que hoje mostras com orgulho, lembra-te de quem as viveu primeiro e deixou este legado que nos torna tão únicos.
A Festa do Traje, iniciada em 1919, surgiu com o propósito de promover entre as vianesas o gosto pelo trajar e enaltecer os trajes das freguesias de Viana do Castelo. Hoje, num único espaço, é interpretada a arte de bem trajar e “ourar”, e são explicadas as mais importantes tradições ligadas à etnografia e ao folclore Vianense.
Quando preservas uma tradição, lembra-te que em cada detalhe há memórias e transmite-as aos teus.
Inspirado nas mordomias das aldeias de Viana do Castelo e simbolizando o “cumprimento” da organização às entidades oficiais, o Desfile da Mordomia chegou às ruas da cidade em 1968.
Hoje, são mil mulheres que se trajam a rigor, com minúcia na arte de bem-trajar e ourar, cumprindo todos os detalhes herdados de gerações anteriores e mantendo viva a tradição de desfilar com “Chieira”.
E quando vestires o traje, vais sentir a nossa história. É a voz da tua avó, da tua mãe, e, mesmo antes de o saberes… já seria parte de ti.
A cada noite, de 19 para 20 de agosto, desde 1968, as gentes do bairro da Ribeira de Viana do Castelo unem-se, com o coração e sem cansaço que vença o afinco e a fé sentida, para decorarem as suas ruas. Inicialmente usavam-se artes da pesca, flores e serrim tingido. Mais tarde, novos e mais velhos, com mãos dedicadas, criaram verdadeiras obras de arte com o sal colorido. Ao mesmo tempo, no cais, os pescadores embelezam a preceito as suas embarcações, decorando-as com belíssimos arranjos florais e apetrechos de pesca, preparando-se para, no dia seguinte, levarem os andores ao mar.
Na Romaria, vais ver crianças a florir as ruas com sal, sorrisos entre amigos.
Vais sentir o cuidado de quem faz com as próprias mãos.
A Procissão ao Mar, que se realiza sempre a 20 de agosto desde 1968, é um dos quadros mais emblemáticos da Romaria, tendo surgido após a vinda da imagem de Nossa Senhora de Fátima a Viana do Castelo. Num silêncio de total entrega, a procissão reúne mais de uma centena de embarcações engalanadas, que levam ao mar os andores sagrados que, em conjunto, “abençoam” o rio e o mar. No regresso ao cais, a procissão percorre as ruas da Ribeira decoradas com os tapetes de sal confecionados durante a noite anterior para a Senhora passar. Este é o dia mais importante do ano para os pescadores da Ribeira de Viana do Castelo.
A tua fé não se explica — sente-a, vive-a e transmite-a, como quem cumpre uma promessa feita de geração em geração.
Este quadro nasceu na década de 90, tendo como base o desfile dos grupos folclóricos que participaram na Festa do Traje em 1979. Nesse ano, após uma concentração junto ao Largo da Estação, os grupos desceram a avenida em direção ao Palacete Abrunhosa, na Papanata. De forma espontânea, horas antes, o público aguarda a descida dos grupos folclóricos a caminho dos festivais. Ano após ano, este desfile atrai cada vez mais pessoas, deliciadas com o sabor do arraial minhoto ao ar livre, onde todos participam.
Quando a Romaria d’Agonia dançar em ti, lembra-te que és chamado a levar adiante os passos de quem veio antes.